IAlgoritmo
- Sandra Tavares

- 21 de abr.
- 4 min de leitura

IA e algoritmo. Dois assuntos que tem permeado o mundo. E como estudante recém inciada em um curso de mestrado me vejo observando e lendo sobre esses assuntos, assim como trabalhando lidando com esses assuntos. É como uma espécie de grande acumulador de informações disponóvel para acesso humano, mas que não tem em si uma humanidade. Que sabe demais, mas que depende do que o ser humano fará com tanto conhecimento.
Na fronteira da Inteligência Artificial e do algoritmo, existe a inteligência que nos conecta com o divino, a partir da natureza, das nossas experiências mais simples e ordinárias, mas fundamentalmente profundas. O dia a dia, uma música, o canto de um pássaro na janela, o sorriso de uma criança, os cabelos grisalhos de uma pessoa que viveu mais que a gente.
Nessa fronteira existe uma outra matrix, que não se refere apenas a dados, informações a serem acumuladas, sistematizadas e disponibilizadas para o mundo. Não se refere a curtidas, compartilhamentos, e comentários. A outra matrix da 5a dimensão.
Percebemos o sentir, o impacto do que sentimos, do que absorvemos do mundo ao nosso redor. As pessoas que encontramos, o que conversamos com elas, o que elas nos dizem, o que fica delas em nós e o que fica de nós nelas. O como voltamos para nossa casa, o nosso coração. E o emaranhado que é tudo isso e a compreensão de que tudo isso pode ser muito confuso, mas tbm um lugar de paz, do respirar sereno e profundo, distinguindo o que é nosso e o que é do outro.
A capacidade de nos reconhecermos como esponjas planetárias, mas que escolhem não absorver mais o 'tudo que aparece pela frente'. A escolha de sermos esponjas conscientes. Fora da matrix.

Somos fisgados pelas telas, conduzidos para estar nelas, com elas. A mergulhar no mundo virtual. Me vi curtindo vídeos curtos de pássaros, lobos-guarás e onças filhotes. E lá estava o tal algoritmo me entregando MAIS pássatos, um mais colorido que o outro, mais lobinhos guarás e mais filhotes de onças. O propósito do algoritmo é um só. Me fazer permanecer o máximo de tempo de frente para essas imagens e permanecer, permanecer e permanecer.
Ao ouvirmos que a IA é a revolução, que quem não souber utiliza-la ficará para trás, que é a cereja do bolo, a última coca-cola do planeta...isso chega a nos fazer sentir certa ignorância (no sentido do não saber). Chegamso a nos perguntar se precisaremos nos qualificar para esse novo momento.
Mas a IA é apenas uma gigantesca e megalomaníaca barsa, e megalomaníaca biblioteca. A consulta é free (ou paga), porque o capital não deixa de lucrar nunca! O cérebro, e mais importante, o coração, continua sendo humano. E a grande revolução é a do coração. É a de saltar para fora da matrix e perceber, dar-se conta de que estamos numa trama. A trama da escola desta vida.
O salto é nos reconhecermos, e mais, nos reconectarmos com algo muito maior. Maior que qualquer IA, que qualquer algoritmo, o TAO. Práticas como meditação, silêncio, contemplação no vazio, pouca fala, pouca ou nenhuma argumentação podem ser caminhos. De limpeza, de encontro, com o simples e o ordinário.

Nesse início de mestrado me vi pesquisando, por meio do chatgpt, os teóricos com os quais mais me coaduno para a escrita de meu trabalho de pesquisa. Como em uma preliminar do que me aguarda de leituras. E é impressionante como a IA nos diz tudo...o que perguntamos. Como é solícita, como é cortês, como não deixa nada sem resposta.
Quando olhamos para nossos corações, quantas perguntas percebemos sem resposta? Inúmeras. Quando meditamos (ou oramos) sabemos que o silêncio e a respiração transcendem as perguntas e às inúmeras possíveis respostas e não-respostas. Subverte-se a matrix dos dedos rolando no feed...subverte-se as incertezas, numa única certeza: a de que somos apenas poeira estelar mesmo.
O aqui e o agora é o que temos. Ontem e o passado, tenham sido bons ou ruins, não importam mais. Saber reconhecer que foram vividos da melhor maneira possível é o único caminho. Erros e acertos. Caminho. TAO.
Amanhã é pura especulação desnecessária, que só nos tira do eixo, de nosso centro ou nossa raiz de energia (TANTIEN). Quantas vezes imaginamos cenários que só permaneceram em nossas mentes? Pensar no futuro quase sempre é decepcionante. Não temos o menor controle do que virá. Amanhã é amanhã.

Percebendo-nos nessa quinta dimensão, não temos mais tempo a perder. Ou vibramos no amor, na luz, na paz, na bem-aventurança, na compaixão, na humildade, buscando a sabedoria da natureza, do natural, do TAO, do divino que habita tudo e nós...ou permanecemos na novela, na trama, reféns do feed...da IA, do algoritmo. Saibamos usar com sabedoria todas essas criações humanas. Para nosso crescimento espiritual. Para harmonização de nossos corpos.
Sem deixar de buscar na música, arte, literaratura, aromas e sabores, companhias, risadas, palavras, amigos, pares, amores, filhos, abraços e beijos...tudo o que nos faz humanos.
O amor. O sentir. O ser.
Porque o saber e ter, somente, já não se sustentam mais.




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