Experiência
- Sandra Tavares

- 20 de jan.
- 5 min de leitura
Atualizado: há 21 horas

Em janeiro de 2024 recebemos a notícia da aprovação de nosso adolescente no IFES de Santa Teresa-ES. Lembro da alegria e da decisão dele de vir morar no município, para fazer o curso técnico de Meio Ambiente integrado ao ensino médio.
Muitos foram os ajustes, como eu ter que ficar em teletrabalho integral, o caçula estudar em uma escola municipal e o adolescente se abrir para a experiência. O esposo já estava em tele integral. Não foi um ano fácil. Muitos desafios fruto do que ele sentia nesse novo lugar, das relações estabelecidas, das dificuldades da idade. Mas o 1o ano do ensino médio se concluiu com excelentes resultados para além das ótimas notas: o amadurecimento maior de todos, a maior conexão familiar e o enfrentamento dos desafios juntos.
Saimos da beiramar, para o interior. E o ano voou, e já iniciamos o processo de despedida deste lugar que nos acolheu. Nosso adolescente não quis permanecer mais no curso, nem em Santa Teresa. Mais do que tentar e concluir, ficou o aprendizado de que às vezes só precisamos tentar mesmo. Mais nada. Fica no peito a gratidão ao IFES que o acolheu para o novo.
Guardados os ajustes dos primeiros meses, mais complexos, tudo foi se ajeitando. Tivemos sim, gaps, dificuldades, saudades dos que ficaram e das vivências no lugar de origem. Se pudesse agradecer por esta experiência começaria por Deus, claro! Depois, de meu humano chefe que me permitiu conciliar o teletrabalho com momentos presenciais sempre que necessário. Vi que os colegas em tele integral se exaurem em casa. Não me adaptei nem me imagino de novo nesse regime de trabalho.
Agradeço aos ministrantes das missas na Igreja Santa Teresa D´Ávila onde me senti acolhida e permaneci firme na fé nos momentos não tão simples. Nos desafios somos testados para sabermos se estamos de fato alinhados com o propósito que ELE tem para nós. Fui testada este ano, e creio que passei nos testes, porque não esqueci do essencial. A conexão com o céu, com o alto, com a respiração, com o CORAÇÃO.

E ter vindo foi uma decisão do CORAÇÃO. Assim como nesse mesmo coração, o luto ainda mora. Não sei se a gente pode dizer que um dia fica de bem com as perdas. Mas a gente vai aprendendo a ver o nosso pai, no pai das outras pessoas, e a nossa mãe em todas as mulheres com cabelos mais grisalhos e alguma palavra sábia.
Agradeço complementarmente à professora de Yoga Larissa, do Ciclos Yoga, por todo apoio desde que cheguei para suas aulas. Sempre acolhedoras, humanas e completíssimas. Jamais esquecerei os mantras aprendidos, as posturas, o relaxamento e os exercícios de foco na respiração ou nos sons lindíssimos dos sinos de tigela ou pin, ou ponteiros do relógio ou sons externos da rua. Até aula conjunta de Yoga e Tai Chi no Museu compartilhamos, a convite generoso dela.
Agradeço ainda à Analu da Clínica Sense, onde eu e meu esposo cuidamos da saúde, onde alongamos para que as dores não fizessem morada. Toda a equipe é de extremo profissionalismo e carinho com todos que chegam. O espaço rende além do Pilates em si, boas conversas, e muita mas muita humanidade.
Meu filho caçula estudou na linda escola Ethevaldo Damázio, cercada da Mata Atlântica, onde conviveu com a professora Priscila super atenciosa e com crianças alegres como ele, assim como com lindas diversidades. Ali participou do Proerd, e teve sua redação selecionada para leitura pública no dia da formatura. Esse programa é uma das poucas oportunidades de se falar abertamente sobre bullyng e drogas com pré-adolescentes.
A professora particular Adriana Matos, aposentada do Colégio Santa Catarina - único particular do município - foi de uma amorosidade e atenção, cujos planejamentos e aulas tanto alegravam João este ano, além da teacher Mônica do inglês Step English School , que contribui para o crescimento do João na língua estrangeira.
Foi um marco pra mim poder ajudar a tornar real o site da Reserva Biológica Auguto Ruschi. Profissionalmente deixo Santa Teresa sabendo da riqueza que esta UC representa para o município, Estado e País.
Agradeço restaurantes como o Flamel onde por vários finais de semana, cansados de cozinhar, fomos almoçar com a certeza de uma comida simples e caseira de qualidade. E a famosa Rua da Lazer? Onde nosso adolescente sempre insistia em comer comida japonesa no interior e longe do mar. E no Santa Esfirra e na Casa 194 - ponto cativoooo. Todos lugares que marcaram pelos momentos em família.
As manhãs de sábado eram regadas a boas caminhadas ao sol, e ponto cativo no mercadinho chamado Comercial Mille, para compra de frutas, verduras e legumes...Tão bom! As pessoas desse lugar são atenciosas.
As caminhadas para movimentar o Qi nas pernas e tomar sol já fazem parte de minha vida a um tempo. Ainda mais conhecendo as práticas corporais chinesas e concluindo o curso Diagnóstico de Ouro da Medicina Tradicional Chinesa de Raquel Terra. E em Santa Teresa as caminhadas fizeram ainda mais parte de meu processo de vivência e superação do luto.
O Museu Melo Leitão foi roteiro cativo ao longo do ano, seja para caminhadas, seja para chorar, seja para praticar tai chi e qi gong. Os beija-flores se fizeram meus confidentes. Tanto de dor quanto da alegria de vê-los e suas cores e bater de asas, com meus olhos, e entender que tudo é ciclo. Uma dia estamos aqui, no outro somos adubo para as plantinhas. Sem a natureza do Museu Melo Leitão com certeza essa experiência teria sido muito árida.
A simbologia do beija-flor remete à alegria, leveza, cura, amor e resiliência, sendo visto como um mensageiro espiritual que traz boa sorte, renovação e um lembrete para apreciar as pequenas belezas da vida e superar desafios.

Tem uma janela no apto que alugamos que fica virada pra umas árvores. A área deve ter sido no passado ocupada pela Mata Atlântica, mas atualmente tem espécie exótica - eucalipto. Mesmo não sendo nativa, as árvores, e seus balanços ao vento, o barulho das folhas nas copas, me apoiaram demais no processo de meditação, contato com minha respiração e entendimento de meu lado Yin.
Meditar foi algo que fiz mais seriamente por aqui por Santa Teresa e praticar qi gong foi um processo muito mais pacificado aqui, pois ou eu ia pra dentro e conversava com o silêncio fora, ou não ia dar certo a experiência.
Treinos diversos como do Mestre Liu Pai Lin, Ana Horta, do Ye Xin, Karine Calligaris e da Raquel Terra me permitiram acessar o meu coração.
Agradeço especialmente a Mikaelle, nossa mais que faxineira...que entrou em nossa casa (nosso templo sagrado) e cuidou de tudo com tanto amor e de forma tão discreta. João se apegou a ela e vice versa. Foram alguns momentos de almoços coletivos a mesa com ela...que super indico a todas as pessoas de Sta Teresa.
E a experiência de Santa Teresa nunca será esquecida por mim, que celebro hoje 49 primaveras.
Primavera = Prima Vera = Primeira Verdade.
Tudo é fluxo, ciclo, Tao.
A criança de ontem agradece a mulher de hoje.
Gratidão!





























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