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Camadas nossas

Foto do escritor: Sandra Tavares
Sandra Tavares
23 de ago.
5 min de leitura

Atualizado: 31 de ago.

Parque da Pedra da Cebola, Vitória-ES.
Parque da Pedra da Cebola, Vitória-ES.

Temos um parque no Espírito Santo que se chama Parque da Pedra da Cebola. Meu sogro estava me contando ontem - dia em que fizemos um piquenique lá, celebrando os 12 anos de João - que a área já foi uma fazenda, antes uma antiga pedreira, e que na gestão de Luiz Paulo Veloso Lucas ele foi criado por forte demanda da sociedade de que ali não virasse um complexo de prédios.

Tenho caminhado por esse parque as manhãs de sábado e domingo...buscando trazer equilíbrio para minha mente, corpo e espírito. Faço qi gong e tai chi Pai Lin e sigo com a rotina do dia. A pedra lembra uma cebola e suas camadas. Cuido do coração nas caminhadas, contemplado o que há de mais belo: o sol, as árvores, os gatinhos que lá ficam. os patos, gansos, tartaruguinhas no laguinho, os pássaros, e os pavões...a exibir suas caudas colorídérrimas!

Juro para vocês. Aquele lugar me cura de mim mesma. E porque? Porque às vezes nossa mente fabrica 'pensamentos', o coração dói as perdas de quem amamos, e não tem outro jeito para lutar contra a tristeza que pode se instalar e virar depressão profunda. A luz do sol. O que para mim mais se aproxima de Deus: a luz do sol e a natureza.

Tenho refletido cada vez mais sobre nosso corpo e suas camadas. Somos como a cebola. Cheinhos de camadas e corpos que não se resumem a esse corpo físico, mas fundamentalmente aos corpos sutis, ou corpos de Qi.

Anos atrás vi um vídeo que me impactou significativamente - pois mostrava todo os corpos sutis de energia que possuímos. A gente pensa que tudo o que nos acontece, se refere apenas a esse corpo físico. Mas não. Somos um combo de 7 corpos sutis, relacionados a 7 chakras principais. E somos esse todo integrado, sendo nosso coração o nosso imperador. O coração como a casa da energia. A mente como a casa do espírito - segundo os taoistas.

Na verdade temos dificuldade de aceitar tudo o que não conseguimos ver, ouvir ou tocar. Mas a frase clichê de que 'há maiss coisas entre o céu e a terra, do que sonha a nossa vã filosofia', se encaixam aqui. Somos aprendizes. Eternos. A cebola é esse conjunto de camadas justapostas e que ao mesmo tempo formam o todo que é a cebola. E assim também somos nós.

A obra de Barbara Ann Brenan - Mãos de Luz - nos traz em detalhes esses corpos. O corpo físico (1), mais denso, visível, de carne e ossos. E para além dele, o corpo etérico (2) - espécie de moldua invisível que sustenta a energia vital e conecta o espírito à matéria densa.

Há também o corpo astral (3) - também conhecido como corpo emocional - veículo como se pode deduzir de nossas emoções, desejos, sentimentos de forma ampla.

O corpo mental inferior (4) - conhecido como corpo concreto - se refere à nossa mente, que pensa no dia a dia, lida com dados e informações desse mundo real. Já o corpo mental superior (5) - conhecido ainda como abstrato ou causal - é a sede das ideias mais refinadas e puras, de nossa intuição superior e memória, mas aquela que transcende à memória de onde estão nossas chaves.


Dois corpos são percebidos pelas pessoas que se dedicam mais intimamente ao processo do autoconhecimento: o corpo búdico ou espiritual - em que nos percebemos como espíritos em uma unidade com o Criador, com a Natureza, sendo agentes na Terra desse amor universal e da compaixão; e o corpo átmico ou divino - em que nos percebemos como centelha suprema de nosso

espírito, uma Consciência para além da mente, unida à essência de todo o Cosmos.

Descrevendo todos eles parecem tão confusos e difíceis de compreender, não é mesmo? Fica sempre a pergunta: "Tá, mas e o que eu faço com tudo isso?" A gente toda ciência e consciência. A gente tenta exercitar no dia a dia essa autopercepção.

Se hoje amanheci mais triste, por exemplo, tento não cultivar essa tristeza ao extremo. Sinto a falta de meus pais que se foram...reconheço essas perdas, essa saudade, mas não me deixo ser arrastada por ela mais, a ponto de ficar como ficava antes: deitadinha, pensativa, chorona, tendo como companhia a a Nevinha, nossa gata.


Eu escolho caminhar, movimentar o Qi, olhar o céu, falar com eles olhando para o céu e dizendo: "Mãe, Pai, onde vces estão? Tá tudo bem com vces? Espero em Deus que sim! Saudades, amo vocês!" E pensando assim, sei que essa mensagem chega até eles. Porque as mensagens do coração e da mente, elas chegam muito rápido.

O João fazer 12 anos nesse dia 22 de agosto, ontem, é um daqueles dias em que bate a saudade, sabe. A gente pensa que quem amamos poderia estar ali juntinho...mas a vida não é como queremos. Ela é como é. As pessoas partem. Outras ficam. E assim como quem parte tem que seguir no seu aprendizado, quem fica também tem que seguir no seu aprendizado.

Quando o seu caçula faz 12 e entra oficialmente na pré-adolescência, a gente vê que escolher voltar a estudar e fazer um mestrado é algo muito legal. Ler, conhecer pessoas, pegar alguns voos, descobrir a Comunicação Digital sob outros ângulos.

Pesquisando descobri que existem muitos tipos de cebolas: a amarela (versátil e ótima para refogados), a roxa (suave e ideal crua em saladas), a branca (crocante e muito usada em pratos mexicanos ou fritas), além de opções menores como a chalota e a cebola pérola.

E olhando-as por dentro, como são lindas! Coloridas! E ao descascar elas nos fazem chorar...por causa de uma reação química de defesa. Ao cortá-la, rompemos suas células e misturamos enzimas com compostos de enxofre. Isso gera um gás que, ao tocar a água de nossos olhos, forma um ácido fraco. O corpo produz lágrimas para limpar e proteger nossos olhos.

Dos 7 corpos tem dois que eu destaco - o corpo emocional (nossas emoções) e o mental (nossos pensamentos). Como precisamos estar vigilantes às nossas emoções, ao que estamos sentindo, sem negar, sem reprimir, sentindo e tendo consciência do que estamos sentindo, compreendendo e aceitando. Buscando ajuda quando necessário, mas nunca jamais abafando, negando ou reprimindo aquilo. Pois a saúde, ou a construção da saúde, está no reconhecimento do que sentimos em nosso coração.


Assim como devemos cuidar do que vagueia pela nossa mente. Tem uma frase num curso de extensão que fiz em Medicina Tradicional Chinesa que diz: "A mente é uma péssima senhora, mas uma ótima servidora". Ou seja, se a deixamos no comando, ela como a senhora, não vai vir coisa boa, pois ela é como um macaco de galho em galho, ora diz isso ora diz aquilo, mas ela como uma boa servidora funciona bem. Não podemos dar munição para nossa mente nos nocautear. Temos que ser vigilantes. Se o que a mente traz não agrega nada à nossa vida, porque iremos alimentar aquele pensamento? Porque vamos lhe dar adubo, para que cresça?

Quem disse que estar na vida, no mundo, seria fácil? Não é, mas pode ser ensolarado e colorido se a gente adicionar um pouco de contato com a Natureza, com o Tao, com o Deus que habita na Natureza. Ver um filho com 12 anos, o quão especial ele é, e como cresce e evolui, e muda e se transforma...me faz crer na beleza da vida.

1+2=3 e o 3º poema do Tao The King nos diz:


Capítulo 3

Não valorizando os tesouros, mantém-se o povo alheio à disputa

Não enobrecendo a matéria de difícil aquisição, mantém-se o povo alheio à cobiça

Não admirando o que é desejável, mantém-se o coração alheio à desordem


O Homem Sagrado governa

Esvazia seu coração

Enche seu ventre

Enfraquece suas vontades

Robustece seus ossos

Mantém permanentemente o povo sem conhecimentos e desejos

Faz com que os de conhecimento não se encorajem e não ajam


Sendo assim

Nada fica sem governo


 
 
 

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